IV Seminário de Qualidade e Segurança em Alimentos propõe reflexão coletiva na 7ª Jornada Técnica do Setor Alimentício
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“Nosso objetivo é transformar por meio do conhecimento, para que possamos sair daqui inspirados a levar para as nossas empresas as melhores práticas”. Foi com essa afirmação que a coordenadora Mirian Hermann abriu o IV Seminário de Qualidade e Segurança em Alimentos na manhã desta quarta-feira (13), durante a 7ª Jornada Técnica do Setor Alimentício.

Fazendo uma analogia com o café e o quanto a percepção pode ser subjetiva, ela destacou como o entendimento dentro de uma empresa pode variar conforme o ponto de vista de cada pessoa, especialmente quando o assunto é qualidade e segurança dos alimentos. “O que queremos hoje é garantir entendimento e integridade em toda a cadeia produtiva. A cultura da segurança de alimentos realmente se efetiva quando as nossas interpretações se tornam coletivas”, ressaltou.
Segundo Mirian, o propósito desta edição do Seminário é oferecer informações e aprendizados que possibilitem a criação de um padrão ideal, adequado a cada tipo de negócio. Dessa forma, ela propôs aos participantes momentos de reflexão, conexão e inspiração, não apenas durante o Seminário, mas ao longo de toda a Jornada.

A atividade contou com sete palestras e abordou temas como saúde emocional, capital humano, boas práticas com ingredientes e suplementos, ESG, atualizações regulatórias e o impacto das mudanças climáticas na segurança microbiológica. Entre os destaques da programação esteve a explanação “Inteligência Artificial na inspeção de qualidade: como a tecnologia auxilia na garantia da segurança sem perder a eficiência produtiva”, ministrada por Débora Brum e Fabiane Trojahn, do Senai-RS.

As palestrantes iniciaram a apresentação descrevendo os cenários mundial e nacional, ressaltando que a tecnologia é fundamental para que as empresas consigam se manter competitivas. Nesse contexto, a Inteligência Artificial surge como uma aliada, tornando os processos mais rápidos e assertivos. Segundo Fabiane, a IA pode quadruplicar a produtividade e elevar em 7% o PIB do país até 2030.
Conforme as especialistas, a IA tornou-se uma ferramenta de apoio para a tomada de decisões com base em dados, garantia da qualidade e minimização de erros humanos. No entanto, ainda existem barreiras para sua implementação nas empresas, especialmente nas indústrias. Entre elas estão o alto custo inicial, que exige investimento em infraestrutura tecnológica; a dificuldade de encontrar mão de obra qualificada para coletar e interpretar dados; os desafios de integração entre sistemas e máquinas de diferentes gerações; e a necessidade de mudança cultural, com adaptação a uma mentalidade orientada por dados e inovação contínua.

Fabiane também apontou limitações humanas que podem ser superadas com o uso da IA, como a questão da consistência, já que a tecnologia pode alcançar até 90% de precisão. Além disso, a inteligência artificial opera 24 horas por dia, sete dias por semana, sendo mais veloz e capaz de ampliar a produtividade sem elevar os custos. “Ela não para”, afirmou. Segundo ela, trata-se de uma alternativa que consegue se adaptar e aprender continuamente, sem necessidade de treinamento constante, além de rastrear dados completos por lote.
As palestrantes também abordaram o papel transformador da IA na indústria, os métodos de aplicação da tecnologia e os impactos na cadeia de suprimentos, incluindo previsão de demanda, otimização logística e gestão de estoque. Ao apresentarem exemplos de uso da IA no setor de alimentos e bebidas, citaram soluções voltadas à alimentação infantil, frigoríficos, redes de fast food e indústria de bebidas.
Débora ressaltou que a IA deixou de ser tendência ou novidade. Para ela, a grande questão agora é como utilizá-la daqui para frente. Segundo a especialista, a tecnologia tornou-se uma necessidade estratégica fundamental para o futuro do setor. “A IA não substitui o profissional. Ela amplia a capacidade analítica para garantir segurança de alimentos e eficiência total.”
Débora também comentou que o grande desafio estará na mudança da forma de atuação e capacitação dos profissionais, que precisará ser diferente do modelo adotado até agora. “O profissional não perde espaço, ele ganha novas oportunidades”, garantiu.
A Jornada
A 7ª Jornada Técnica do Setor Alimentício iniciou nesta terça-feira (12) e segue até amanhã no Clube Tiro e Caça, em Lajeado. Nesta quarta-feira, além do Seminário de Qualidade e Segurança em Alimentos, ocorreu o XXII Workshop em Alimentos. Já nesta quinta-feira acontecem o III Seminário de Lácteos e o III Seminário de Inovação.
Paralelamente à programação técnica, os visitantes podem conferir o Salão do Expositor, que nesta edição reúne 70 empresas com soluções alinhadas às principais demandas da indústria alimentícia, como reformulação de produtos, saudabilidade, segurança dos alimentos, eficiência produtiva e sustentabilidade.




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